EDIÇÃO 45 - 3º TRIMESTRE - 2025

Respeito
DA O TOM

Diversidade que faz a diferença

Diversidade que faz a diferença

COMPARTILHE

Texto: Rosiney Bigattão

Em 2017, a Aegea criou seu programa de diversidade, igualdade racial e equidade de gênero com o objetivo de espelhar a demografia da população brasileira no quadro de funcionários da empresa.

“A Aegea nasceu com um DNA de inquietude, provocativo, de não se estabelecer no status quo, de buscar fazer diferença no sentido mais amplo possível. Hoje tem muitas empresas falando sobre diversidade e ampliação de oportunidades. Só que a Aegea começou isso em 2017. Na época praticamente ninguém falava sobre isso. Ela viu a necessidade de representar, nas várias cidades onde opera, a diversidade da população brasileira dentro do seu time”, explica Josélio Alves Raymundo, diretor na Aegea, um dos responsáveis pela implantação do programa.

“Mais do que espelhar a diversidade, a questão era mudar uma realidade, pois não é só onde o país está acostumado a ver o negro ou a negra, que é no chão de fábrica. Enfim, a Aegea viu a necessidade de buscar espelhar em cargos estratégicos, em cargos de liderança. O objetivo era trabalhar esse tema, que é tão velado no país, mas várias pesquisas comprovam que existe e é forte e presente. A empresa tomar essa decisão, de olhar para isso de frente, foi algo bastante disruptivo”, diz.

Três pilares de atuação

O Programa Respeito Dá o Tom está estruturado em três pilares: Empregabilidade, com foco na geração de oportunidades; Desenvolvimento, voltado à oferta de cursos de aprimoramento; e Relacionamento, responsável pela sensibilização de colaboradores e parcerias externas relacionadas ao tema racial.

Como resultado, em 2022, com 63% dos colaboradores se autodeclarando pretos ou pardos, a Aegea superou a meta inicial de refletir, internamente, o percentual da população negra e parda no Brasil, que é de 55,88%, segundo a PNAD daquele ano.

Igualdade de gênero

A atuação do programa foi ampliada no mesmo ano, passando a incluir também a igualdade de gênero. Em abril, a Aegea assumiu o compromisso público de ampliar a participação de negros e mulheres em cargos de liderança. As metas, previstas para 2030, são: aumentar a presença de talentos negros na liderança de 17% para 27%, e de mulheres, de 32% para 45%.

Essas metas foram formalizadas por meio da emissão de Sustainability-Linked Bonds, em uma operação inédita no setor de saneamento na América Latina. A Aegea foi a primeira empresa do Brasil a atrelar títulos de longo prazo ao cumprimento de metas de diversidade racial em cargos estratégicos.

Instituto Aegea: gerando novas oportunidades

Desde 2024, o programa passou a ser gerido pelo Instituto Aegea. Um marco importante do ano foi a criação da Semana da Diversidade Racial da Aegea, realizada em celebração ao Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.

“O setor de saneamento é um propulsor para o desenvolvimento da infraestrutura e da economia, de maneira transformadora para as famílias, que passam a contar não apenas com saúde para seus filhos, como também com um endereço registrado, que lhes permite conseguir um emprego regulamentado e acesso a crédito”, avalia Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea.

Na frente da empregabilidade, o foco está na geração de oportunidades, com o objetivo de que todos possam crescer, pessoal e profissionalmente, em igualdade de condições. Essa diretriz se conecta com o pilar de Desenvolvimento, que inclui a oferta de cursos de capacitação.

Capacitação

Uma das iniciativas de destaque foi o treinamento criado em parceria com o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), voltado para toda a área de Gestão de Pessoas da Aegea, reforçando o compromisso com a igualdade de oportunidades em diferentes áreas da empresa.

 

“A Aegea entende seu papel na sociedade e atua com responsabilidade corporativa na promoção da inclusão. O que temos buscado construir nesses seis anos é fazer nossa parte para o fim da desigualdade racial e de gênero existente no Brasil, seja dentro ou fora do mercado de trabalho. Temos orgulho em dizer que estamos ativamente incluindo mais negros e mulheres em cargos de liderança e promovendo um ambiente que não aceita discriminação”, diz Édison.

A força dos jovens: Programa de Trainees

O esforço de inclusão também se refletiu na edição mais recente do Programa de Trainees, que contou com 45% de pessoas negras e 61% de mulheres entre os selecionados.

“A entrada dos novos trainees reforça pilares fundamentais da Companhia de garantir que a sua estrutura organizacional seja reflexo da diversidade da população brasileira, promovendo um ambiente de trabalho mais igualitário, que estimule o respeito e a valorização das diferenças. Ao impulsionar o movimento de igualdade de oportunidades, a Companhia, por meio do Programa Respeito Dá o Tom, contribui para o combate de assimetrias ainda presentes na sociedade brasileira”, explica Keilla Martins, coordenadora do programa.

Comitês locais

Para fortalecer o tema internamente, o programa conta hoje com 14 comitês nas unidades da Aegea, distribuídos por todas as regiões do país, reunindo 167 colaboradores voluntários.

“É uma pauta de Direitos Humanos que a Aegea começou de uma forma tão inovadora e que vem se fortalecendo a cada ano. Por isso, o Respeito Dá o Tom é premiado e reconhecido justamente pelo caráter inovador, pelo tempo e pela profundidade que tomou. Por tudo isso, celebrar os 15 anos da Aegea por meio do RDT é uma forma de também refletir sobre o futuro do programa, para que ele contribua cada vez mais para uma sociedade mais inclusiva”, afirma Édison Carlos.

“Hoje temos 13 comitês locais com representatividade em todas as unidades. São 167 voluntários que fazem com que nossas orientações, letramentos, cursos e lives aconteçam nas várias cidades onde atuamos. Nós criamos o Comitê Executivo de Diversidade, que envolve diretores de várias áreas. Por meio do Instituto Aegea e da Responsabilidade Social, a gente faz com que o Respeito Dá o Tom chegue nas pontas. Então, tem um alinhamento para que todas as áreas olhem os pilares de raça e gênero na escolha e na propagação dos projetos que a gente desenvolve nos territórios”, diz Édison.

O futuro

Apesar dos avanços, os executivos reforçam que ainda há muito a ser feito.

“Sempre falamos que não adiantava pensar que seria uma corrida de 100 metros, sabíamos que seria uma jornada longa, uma maratona mesmo, pois são vários desafios. Ninguém corrige mais de 350 anos de escravidão em pouco tempo, mas não é por isso que a gente pode ou deveria ficar quieto. Pelo contrário, estamos nos movimentando e queremos envolver a sociedade nessa caminhada”, diz Josélio.

“É um momento de celebrar e de pensar no futuro do RDT para que ele seja ainda mais inclusivo, trabalhe ainda mais a diversidade e a equidade. Isto está na Cultura Aegea, em um dos pilares estruturantes que é o de brasicidades, que respeita os diversos “Brasis” existentes. Temos que cada vez mais abraçar todos os brasileiros, nos quatro cantos do país, independente de raça, cor, sexo ou orientação sexual, isso é parte do nosso progresso via RDT para todas as pautas de Direitos Humanos”, conclui Édison.